EMPREENDEDOR AUTÔNOMO, EMPRESÁRIO OU OPORTUNO: Uma definição sistêmica para um conceito líquido

INTRODUÇÃO

Desde Schumpeter, em “A teoria do desenvolvimento econômico”, economistas concordam que os empreendedores são, em maior ou menor grau, importantes para o desenvolvimento socioeconômico dos países.

Ács et al. (2014) desenvolvem um conceito inspirado nos moldes do Sistema Nacional de Inovação, mas diferente deste, trazem o nível individual, com seu comportamento de busca de oportunidades, para o cerne da análise.

Os autores intitulam de “Sistema Nacional de Empreendedorismo” (SNE), pois é um conceito que ao mesmo tempo em que enfoca o papel do indivíduo, o coloca também sob perspectiva sistêmica e contextualiza-o sob um ambiente institucional.

 

DESENVOLVIMENTO

A literatura que trata de ‘empreendedorismo’, segundo Ács et al. (2014), é bastante heterogênea e andou, via de regra, desvinculada das análises institucionais/sistêmicas. A proposta fundamental (e desafio) deste trabalho é justamente trazer o problema do empreendedorismo, sua definição e contribuição para a análise no nível agregado.

Portanto, a própria definição de empreendedorismo, deve, antes de tudo, ser bem definida para que se possa com isso, inserir esse conceito em uma perspectiva mais abrangente. Ács et al. (2014), afirmam que mais do que simplesmente formar uma definição perpétua, é mais importante encontrar e delinear bem as definições existentes.

A partir disso, tem-se três principais compreensões de empreendedorismo: i) como trabalho autônomo (criação de empresas); ii) como o comportamento no nível empresarial; e iii) como um atributo cognitivo individual, ou percepção de oportunidade.

Essa constatação de impossibilidade de perpetuação de um conceito único, acontece em um momento em que tanto as abordagens teóricas quanto as empíricas trabalham de forma pouco nítida esse fenômeno do empreendedorismo.

O nascimento do conceito de Sistemas Nacionais de Empreendedorismo, vem em um contexto de escassez (ou até mesmo ausência) do desenvolvimento teórico do papel do empreendedor na literatura “neo-schumpeteriana”.

Ács et al. (2014), consideram uma grave omissão, uma vez que, dado às necessárias ponderações, o empreendedor exerce sim um papel fundamental no processo de inovação, seja combinando recursos, seja difundindo produtos e/ou serviços.

A crítica dos autores está centrada no tratamento vago dado pela literatura neo-schumpeteriana ao papel do empreendedor no processo de inovação, e de forma oposta, mas tão problemático e possivelmente negável, na literatura mainstream, que trata de forma generalizada e faz um tratamento superestimado e talvez ingênuo, no melhor estilo caixa preta.

Sintetizando, Ács et al. (2014) consideram que o empreendedorismo não pode ser compreendido sem ser contextualizado simultaneamente nos níveis:

i) individual;
ii) institucional;

pois no nível individual encontra-se as aptidões e habilidades, e no nível institucional é que essas aptidões e habilidades se formam em termos de competências, pois nele estão imersos.

Os autores listam três formas de mensurar empreendedorismo:

i) através de ‘resultados’;
ii) através da ação; e
iii) no nível da estrutura.

Por meio dos resultados, observa-se basicamente a criação de novas empresas ou ingresso no trabalho autônomo.

Já a mensuração por meio da ação, depende de surveys, no qual busca-se mensurar o quão desejável e a viabilidade associadas às decisões de se abrir um novo negócio.

Por último, a mensuração através da estrutura tem foco em indicadores do ambiente regulatório, tais como número de procedimento necessários para registro de uma nova empresa e número de dias requeridos para completar esse registro. Esta última forma de mensurar tem o problema de se limitar à empresa padrão, de X à Y número de funcionários, com faturamento Z.

 

CONCLUSÕES

No Sistema Nacional de Empreendedorismo, a ação individual é centrada na transformação das instituições existentes e criação de novas instituições. O empreendedorismo ao invés de existir apenas no nível do aproveitamento ou produção de oportunidades, existe no nível da agência em soma aos determinantes e reguladores dos indivíduos.

Portanto, Ács et al. (2014), propõem que o SNE deve ser sim individual, mas deve também enfatizar as interações entre o contexto institucional em gerar e regular a ação empreendedora e os seus resultados.

Por último cabe citar alguns indicadores tratados pelos autores: i) Global Entrepreneurship Monitor (GEM); OECD – Eurostat’s Entrepreneurship Indicators Program; World Bank Entrepreneurship Survey; Ease of Doing Business Index (EDB).

Esses indicadores têm metodologias e dão pesos diferentes às variáveis, e assim como a definição do conceito, variam o escopo e foco, buscando captar diferentes aspectos do fenômeno.

Ács et al. (2014) propõem que para mensurar empreendedorismo, deve-se sempre levar em consideração interações dinâmicas entre atitude empreendedora, habilidade e aspirações, considerando o processo empresarial dentro do seu próprio contexto institucional, reconhecendo, assim, a natureza multifacetada e multinível desse fenômeno;

 

REFERÊNCIAS

ÁCS, Z.; AUTIO, E.; SZERB, L. National systems of entrepreneurship: measurement issues and policy implications. Research Policy, v. 43, n. 3, p. 476-494, 2014.


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