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Estratégia de Marketing

Mercado Livre ou Amazon: FBA, Full e Prime na conta

A Amazon publica a tabela de tarifas e o Mercado Livre não. Isso muda a natureza da decisão e permite calcular a margem antes mesmo de abrir a conta.

7 min de leitura | 1.364 palavras
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Resumo

  • A Amazon publica planos, comissão por categoria e custos do FBA; no Mercado Livre o percentual exato só aparece no simulador dentro da conta de vendedor.
  • Na Amazon, o plano Individual cobra R$ 2,00 por produto vendido e o Profissional R$ 19,00 mensais, com comissão entre 10% e 15% e mínimo de R$ 1,00 por item.
  • FBA e Full cobram de formas diferentes: o primeiro por metro cúbico ao mês, o segundo por unidade e por dia, o que muda quem se beneficia de cada um.
  • Prime e audiência são multiplicadores de uma operação já viável, e não correções para um produto que não fecha conta.

Mercado Livre ou Amazon é uma comparação diferente das outras, por um motivo que raramente é mencionado: a Amazon publica a própria tabela de tarifas e o Mercado Livre não.

Isso muda a natureza da decisão. Na Amazon, é possível montar a margem por produto antes de abrir a conta, com números oficiais. No Mercado Livre, a faixa é conhecida por fontes de mercado, mas o percentual exato da categoria só aparece dentro da conta de vendedor. Para quem está decidindo onde entrar, essa diferença de transparência vale tanto quanto alguns pontos de comissão.

O que cada plataforma cobra

A Amazon Brasil informa, em sua página de preços, dois planos de conta. O Individual não tem mensalidade e cobra R$ 2,00 por produto vendido. O Profissional custa R$ 19,00 por mês, com o primeiro ano gratuito para vendedores novos e cobrança a partir do décimo terceiro mês. Sobre isso incide a comissão da categoria, entre 10% e 15%, com mínimo de R$ 1,00 por item.

A tabela oficial traz percentuais por categoria: livros, vídeo e música em 15%, óculos e joias em 14%, relógios em 13%, instrumentos musicais em 12%. Duas categorias usam escalonamento: acessórios para eletrônicos e para computador pagam 15% sobre os primeiros R$ 100,00 e 10% sobre o excedente, e móveis pagam 15% sobre os primeiros R$ 200,00 e 10% sobre o excedente.

No Mercado Livre, fontes de mercado situam a comissão de 2026 entre 10% e 14% no anúncio clássico e entre 15% e 19% no premium, variando por categoria. Não há tabela pública consolidada, e o valor exato aparece no simulador dentro da conta.

Tarifa por faixa de preço

Os dois canais tratam produto barato de forma diferente do produto caro, e é nessa faixa que a conta mais varia.

A Amazon publica uma tarifa fixa por unidade vendida para produtos abaixo de R$ 79,00, escalonada por preço: R$ 4,50 para produtos abaixo de R$ 30,00, R$ 6,50 entre R$ 30,00 e R$ 49,99 e R$ 6,75 entre R$ 50,00 e R$ 78,99. Acima de R$ 19,00 o vendedor oferece frete grátis ao consumidor, com tarifa que varia por estado de origem e peso.

O Mercado Livre também aplica custo por unidade abaixo de um valor de corte, mas, segundo fontes de mercado, desde março de 2026 esse custo deixou de ser uma tarifa fixa e passou a ser calculado por peso e dimensão. Para quem vende produto leve e barato, a mudança tende a favorecer; para produto pesado e barato, a penalizar.

Full e FBA: duas lógicas de cobrança

Os serviços de logística das duas plataformas resolvem o mesmo problema e cobram de maneiras diferentes, o que muda quem se beneficia de cada um.

No FBA da Amazon, a armazenagem mensal é cobrada por metro cúbico: R$ 75,00 por metro cúbico para produtos com volume inferior a dez mil centímetros cúbicos e R$ 37,50 para volumes iguais ou superiores. Estoque que permanece muito tempo passa a pagar armazenagem de longo prazo, de R$ 525,00 por metro cúbico.

No Full do Mercado Livre, a cobrança é por unidade e por dia, conforme o tamanho do produto, e existe um custo adicional por estoque antigo. Segundo a central de vendedores, esse custo começa a incidir a partir de dois meses para produtos de supermercado e de quatro meses para as demais categorias.

A diferença prática é que cobrança por volume ocupado favorece produtos pequenos com muitas unidades, enquanto cobrança por unidade e por dia favorece produtos que saem rápido, independentemente do tamanho. Produto pequeno e de giro lento tende a sair mais barato no FBA; produto de giro alto tende a compensar nos dois.

O efeito Prime e o efeito audiência

Fora da tabela, cada canal tem um ativo que altera a conversão.

O selo Prime da Amazon sinaliza entrega rápida a uma base de assinantes com hábito de recompra, e tende a melhorar a conversão em ticket mais alto. A audiência do Mercado Livre é maior no Brasil, o que significa mais visitas disponíveis para a mesma categoria.

Nenhum dos dois substitui margem. Um produto que não fecha conta continua não fechando com Prime ou com audiência. Os dois efeitos são multiplicadores de uma operação que já é viável, não correções de uma que não é.

Como decidir

A decisão se resolve por produto, em três passos.

Primeiro, monte a margem na Amazon usando a tabela oficial, incluindo plano, comissão da categoria e tarifa da faixa de preço quando o produto estiver abaixo de R$ 79,00. Como os números são públicos, esse cálculo pode ser feito antes de abrir a conta.

Segundo, monte a margem no Mercado Livre com o percentual do simulador da sua conta, somando o custo de logística da faixa e o tipo de anúncio escolhido.

Terceiro, compare o resultado por unidade e estime o volume que cada canal entrega para aquela categoria. O canal vencedor é o que produz maior margem total no mês, não o de menor percentual.

A Amazon é o canal mais fácil de planejar, porque publica o que cobra. Isso não a torna automaticamente mais barata: o plano, a comissão da categoria, a tarifa da faixa de preço e a armazenagem do FBA somam, e em produto de baixo ticket essa soma consome boa parte do preço.

O Mercado Livre oferece audiência maior e exige um passo a mais de descoberta, porque o percentual real só aparece na conta. Para quem já vende lá, isso é irrelevante; para quem está decidindo, é um custo de informação que vale considerar.

Como nas demais comparações entre marketplaces, a resposta madura não é escolher um. É alocar o catálogo entre os dois conforme a margem por produto, mantendo estoque integrado e preço ajustado à estrutura de custo de cada canal. E, em paralelo, construir o canal próprio, porque nos dois casos a audiência e a reputação continuam pertencendo à plataforma.

Perguntas frequentes

Mercado Livre ou Amazon, qual é melhor para vender?

Depende do produto e da categoria. A Amazon publica a tabela de tarifas, o que permite calcular a margem antes de abrir a conta, e o selo Prime ajuda a conversão em ticket mais alto. O Mercado Livre tem audiência maior no Brasil. A decisão se resolve comparando a margem do mesmo produto nos dois canais.

Qual a diferença entre Mercado Livre e Amazon para o vendedor?

Além do público e do tamanho da audiência, a diferença mais prática é a transparência de tarifas. A Amazon divulga comissão por categoria, planos e custos do FBA; no Mercado Livre o percentual exato aparece no simulador dentro da conta.

Quanto custa vender na Amazon Brasil?

O plano Individual não tem mensalidade e cobra R$ 2,00 por produto vendido; o Profissional custa R$ 19,00 mensais, gratuito no primeiro ano para vendedores novos. A comissão varia de 10% a 15% por categoria, com mínimo de R$ 1,00 por item, e há tarifa por unidade para produtos abaixo de R$ 79,00.

FBA ou Full, qual compensa mais?

Depende do formato e do giro do produto. O FBA cobra armazenagem por metro cúbico ao mês, o que favorece produtos pequenos; o Full cobra por unidade e por dia, o que favorece produtos de giro alto. Os dois penalizam estoque parado, com regras diferentes.

Dá para vender nos dois ao mesmo tempo?

Dá, e é o arranjo mais comum em operações com volume. Exige integração de estoque e preço ajustado à estrutura de custo de cada canal, porque as tarifas não são equivalentes.

Qual dos dois é mais barato para produto de baixo ticket?

Precisa ser calculado caso a caso. A Amazon publica tarifa fixa por faixa de preço abaixo de R$ 79,00, enquanto o Mercado Livre passou a calcular esse custo por peso e dimensão. Produto leve e barato tende a se dar melhor onde o cálculo considera peso; produto pesado e barato, onde a tarifa é fixa.

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Autor

I

Ivan Prizon

CTO e cofundador da Agência Integrare

Economista pela UEM, mestre em Economia do Desenvolvimento pela UFSM e doutorando em Políticas Públicas pela UFPR. Autor do livro Marketing Baseado em Evidências (2026), que aplica economia institucional ao marketing digital.

Sobre o autor

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