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Integrare
Estratégia e Negócios

Ciclo de Hype (Hype Cycle)

Também conhecido como: Hype Cycle, Ciclo de Expectativas Inflacionadas, Curva de Hype da Gartner

Modelo da Gartner que descreve a maturidade e adoção de tecnologias em cinco fases: gatilho de inovação, pico de expectativas inflacionadas, vale de desilusão, rampa de esclarecimento e platô de produtividade.

IP

Ivan Prizon

CEO & Estrategista Digital -- Integrare

5 min

O Que é o Ciclo de Hype (Hype Cycle)

O Ciclo de Hype é um modelo gráfico desenvolvido pela Gartner que representa a maturidade, adoção e aplicação social de tecnologias específicas. Publicado anualmente desde 1995, o modelo mapeia a evolução das expectativas do mercado em relação a novas tecnologias ao longo do tempo.

O modelo é composto por um gráfico com o tempo no eixo horizontal e as expectativas no eixo vertical, formando uma curva característica com cinco fases distintas.

As 5 Fases do Ciclo de Hype

1. Gatilho de Inovação (Innovation Trigger)

Uma descoberta tecnológica, demonstração de prova de conceito ou evento de lançamento gera interesse inicial. Não existem produtos utilizáveis e a viabilidade comercial não está comprovada. A cobertura de mídia gera publicidade significativa.

Exemplo histórico: Lançamento do ChatGPT em novembro de 2022, que atingiu 100 milhões de usuários em 2 meses e desencadeou a onda de IA generativa.

2. Pico de Expectativas Inflacionadas (Peak of Inflated Expectations)

Publicidade inicial gera uma série de histórias de sucesso -- frequentemente acompanhadas de fracassos. Algumas empresas agem; muitas não. A tecnologia é superdimensionada em relação às suas capacidades reais.

Exemplo histórico: Blockchain em 2017-2018, quando se prometia que a tecnologia revolucionaria desde a cadeia de suprimentos até a votação eleitoral.

3. Vale de Desilusão (Trough of Disillusionment)

O interesse diminui quando experimentos e implementações falham em entregar o prometido. Produtores da tecnologia se consolidam ou desistem. Investimentos continuam apenas se os fornecedores sobreviventes melhorarem seus produtos para satisfação dos early adopters.

Exemplo histórico: Realidade Virtual após o fracasso do Google Glass (2014-2015) e a decepção com headsets de primeira geração.

4. Rampa de Esclarecimento (Slope of Enlightenment)

Mais casos de uso reais emergem e são compreendidos. Produtos de segunda e terceira geração aparecem. Mais empresas financiam pilotos, embora empresas conservadoras permanecem cautelosas.

Exemplo histórico: Cloud Computing entre 2010-2014, quando AWS, Azure e Google Cloud consolidaram modelos de negócio viáveis e cases de sucesso se multiplicaram.

5. Platô de Produtividade (Plateau of Productivity)

A adoção mainstream começa a decolar. Critérios de avaliação de viabilidade do fornecedor estão mais claramente definidos. A aplicabilidade de mercado e a relevância da tecnologia estão claramente compensando.

Exemplo histórico: Internet móvel (smartphones) pós-2012, que se tornou infraestrutura básica da vida digital.

Posicionamento da IA no Hype Cycle 2025

No Hype Cycle for Artificial Intelligence 2025 da Gartner, as tecnologias de IA estão distribuídas assim:

Tecnologia Fase Tempo até o Platô
IA Generativa Pico / Início do Vale 2-5 anos
LLMs Pico de Expectativas 2-5 anos
Agentes de IA Gatilho de Inovação 5-10 anos
MCP / Protocolos de IA Pico de Expectativas 2-5 anos
Machine Learning Rampa de Esclarecimento Menos de 2 anos

Limitações do Modelo

Apesar de sua popularidade, o Ciclo de Hype possui limitações fundamentais que devem ser consideradas:

  • Não é preditivo: O modelo descreve um padrão, mas não garante que todas as tecnologias seguirão a mesma trajetória
  • Subjetividade: O posicionamento das tecnologias depende do julgamento dos analistas da Gartner, não de métricas quantitativas padronizadas
  • Taxa de falha: Conforme dados da The Economist, a maioria das tecnologias que entram no Vale de Desilusão não se recupera
  • Variação setorial: Uma tecnologia pode estar em fases diferentes dependendo do setor (ex: IA generativa está mais madura em marketing do que em saúde)

Como Usar o Modelo com Rigor

  1. Como heurística, não como previsão: Use para calibrar expectativas, não para definir cronogramas
  2. Combine com outras fontes: Valide posicionamento com dados de mercado, cases reais e métricas de adoção
  3. Considere seu contexto: A fase relevante para seu negócio pode ser diferente da fase geral do mercado
  4. Monitore evidências: Busque dados de ROI real, não apenas promessas de fornecedores

Referências

  • Gartner. Hype Cycle for Artificial Intelligence, 2025. Stamford: Gartner, 2025.
  • Gartner. Hype Cycle for Emerging Technologies, 2024. Stamford: Gartner, 2024.
  • Floridi, L. The Ethics of Artificial Intelligence: Principles, Challenges, and Opportunities. Oxford: Oxford University Press, 2024.
  • The Economist. The Gartner Hype Cycle: How Useful Is It?. London: The Economist, 2017.
  • Fenn, J.; Raskino, M. Mastering the Hype Cycle. Harvard Business Press, 2008.

Aprofunde seu Conhecimento

Explore conceitos relacionados e descubra como aplicar na prática:

Fontes e Referências Externas

Alerta de Buzzword

Por que esse termo virou moda e o que ele realmente significa

O Ciclo de Hype tornou-se, ironicamente, vítima de seu próprio fenômeno. Toda discussão sobre tecnologia agora inclui alguma referência a "em que fase do Hype Cycle estamos" -- frequentemente sem rigor analítico.

É importante notar que o próprio modelo possui limitações significativas. Análise da The Economist demonstrou que apenas 1 em cada 5 tecnologias segue o ciclo completo conforme previsto pela Gartner. Mais preocupante: 6 em cada 10 tecnologias que atingem o Vale de Desilusão nunca se recuperam para chegar ao Platô de Produtividade.

Usar o Hype Cycle como ferramenta preditiva precisa (ex: "a IA generativa vai cair no vale em 2026") é extrapolar além do que o modelo permite. Ele é mais útil como framework conceitual para calibrar expectativas do que como instrumento de previsão.

Reality Check

O que funciona de verdade na prática do dia a dia

O Ciclo de Hype é útil como heurística, não como modelo preditivo. Sua principal contribuição é conceituar um fenômeno real: tecnologias novas frequentemente geram expectativas desproporcionais antes de encontrarem seu valor real.

Porém, é necessário reconhecer suas limitações:

  • Posicionamento variável: A Gartner reposiciona tecnologias de ano para ano, às vezes de forma inconsistente com o modelo linear
  • Falta de métricas objetivas: O eixo Y ("expectativas") não tem unidade de medida definida -- o posicionamento é baseado em opinião de analistas
  • Viés de seleção: A Gartner tende a incluir tecnologias que já são conhecidas, criando um viés de confirmação
  • Simplificação excessiva: O modelo assume uma trajetória única para todas as tecnologias, ignorando variações por setor, região e contexto

Floridi (2024) argumenta que o valor do Hype Cycle reside não na previsão, mas na função pedagógica: ensina decisores a desconfiar de entusiasmo excessivo e a esperar por evidências antes de comprometer recursos significativos.

Aplicação Prática

Como a Integrare implementa isso no seu negócio

Na Integrare, utilizamos o pensamento do Ciclo de Hype como ferramenta de aconselhamento para clientes que avaliam a adoção de novas tecnologias:

  1. Diagnóstico de Fase: Ajudamos clientes a identificar em que momento uma tecnologia está em termos de maturidade real (não apenas percepção de mercado)
  2. Calibração de Expectativas: Diferenciamos entre o que uma tecnologia promete hoje e o que pode entregar de forma confiável
  3. Timing de Adoção: Para a maioria dos negócios, a fase ideal de adoção é na Rampa de Esclarecimento -- quando a tecnologia já provou valor, mas antes de se tornar comoditizada
  4. Avaliação Independente: Incentivamos avaliação baseada em métricas próprias, não em posicionamento de analistas

Essa abordagem é especialmente relevante no contexto atual de IA generativa, onde o entusiasmo do mercado pode levar a investimentos prematuros ou mal dimensionados.

Saiba mais sobre nossa abordagem estratégica em Consultoria de Marketing Digital.

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