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Integrare
Design

Arquitetura de Marca

Também conhecido como: Brand Architecture, Hierarquia de Marcas, Portfólio de Marcas

A estrutura que organiza e define os relacionamentos entre as marcas de uma empresa — determinando como a marca corporativa, marcas de produto e submarcas se conectam, comunicam e se diferenciam no portfólio.

IP

Ivan Prizon

CEO & Estrategista Digital -- Integrare

5 min

O Que é Arquitetura de Marca

Arquitetura de marca é a estrutura que define como as marcas dentro do portfólio de uma empresa se organizam, se relacionam e se diferenciam. É o sistema que responde a perguntas como: a nova linha de produtos terá nome próprio ou levará o nome da empresa? Se um produto falha, isso afeta as outras marcas? Quanto da credibilidade da marca mãe é transferida para as submarcas?

Para empresas com um único produto, a arquitetura de marca não é uma questão relevante. Mas à medida que a empresa cresce — lançando novos produtos, entrando em novos mercados, adquirindo outras empresas — a arquitetura de marca se torna uma das decisões estratégicas mais críticas.

Modelos de Arquitetura de Marca

1. Arquitetura Monolítica (Branded House)

Um único nome de marca para tudo. Todos os produtos e serviços levam o mesmo nome corporativo, com identificadores descritivos para diferenciar as linhas.

Exemplos: Apple (iPhone, iPad, Mac, Apple Watch, Apple TV+), Google (Google Maps, Google Docs, Google Meet), Virgin (Virgin Atlantic, Virgin Money, Virgin Galactic), FedEx (FedEx Express, FedEx Ground, FedEx Office).

Vantagens:

  • Eficiência máxima de investimento em marketing — toda comunicação fortalece uma única marca
  • Lançamentos de novos produtos se beneficiam imediatamente do equity da marca mãe
  • Consistência de experiência — o consumidor sabe o que esperar de qualquer produto
  • Menor custo operacional de marca

Desvantagens:

  • Um escândalo ou falha afeta toda a marca
  • Limitada para atingir públicos com valores muito diferentes
  • Difícil de descontinuar um produto sem afetar a marca mãe

2. Arquitetura Independente (House of Brands)

Portfólio de marcas completamente independentes, cada uma com sua própria identidade, posicionamento e público-alvo. A empresa holding pode ser invisível ao consumidor final.

Exemplos: Procter & Gamble (Ariel, Tide, Pampers, Gillette, Oral-B — todas marcas autônomas), Unilever (Dove, AXE, Ben & Jerry's, Hellmann's), LVMH (Louis Vuitton, Dior, Givenchy, Bulgari — todas com identidades separadas), InBev (Budweiser, Stella Artois, Brahma, Corona).

Vantagens:

  • Cada marca pode ser otimizada para seu público específico
  • Isolamento de risco — crise em uma marca não contamina as outras
  • Flexibilidade para atuar em segmentos com posicionamentos opostos (premium e popular)
  • Facilidade de venda ou descontinuação de marcas individualmente

Desvantagens:

  • Altíssimo custo — cada marca exige seu próprio investimento em marketing
  • Nenhuma sinergia de marca entre os produtos
  • Complexidade operacional elevada
  • Modelo acessível apenas para grandes grupos corporativos

3. Arquitetura Endossada (Endorsed Brands)

As submarcas têm identidades próprias, mas são visivelmente endossadas pela marca mãe. O endosso pode ser forte ("by [marca mãe]") ou sutil (apenas o logo da holding no rodapé).

Exemplos: Marriott (Marriott, Sheraton, W Hotels, Courtyard by Marriott — portfólio com diferentes posicionamentos, todos sob o guarda-chuva Marriott), Nestlé (Kit Kat by Nestlé, Nescafé, Nestlé Fitness), Mastercard (Maestro by Mastercard).

Vantagens:

  • Submarcas se beneficiam da credibilidade da marca mãe para ganhar mercado mais rapidamente
  • Permite diferenciação de posicionamento mantendo vínculo com a holding
  • Mais eficiente que arquitetura totalmente independente

Desvantagens:

  • A marca mãe ainda assume algum risco reputacional das submarcas
  • Pode criar confusão se o posicionamento das submarcas for muito divergente

4. Arquitetura Híbrida

Combinação de modelos diferentes para diferentes partes do portfólio. A maioria das grandes empresas reais opera alguma forma de arquitetura híbrida — adaptada às necessidades específicas de cada produto, mercado e histórico de aquisições.

Exemplo: Samsung usa arquitetura monolítica para a maioria dos produtos (Samsung Galaxy, Samsung TV, Samsung Bespoke), mas mantém marcas como Harman (e suas submarcas JBL, AKG, Harman Kardon) relativamente independentes após a aquisição.

Como Escolher o Modelo Ideal

A decisão de arquitetura de marca deve considerar:

Fator Favorece Monolítica Favorece Independente
Orçamento de marketing Limitado Abundante
Segmentos atendidos Similares, mesmo público Radicalmente diferentes
Posicionamento de preço Consistente entre produtos Muito diferente (premium vs. popular)
Risco reputacional Baixo, marca consolidada Alto, produtos sensíveis
Origem do portfólio Crescimento orgânico Aquisições de marcas estabelecidas

Arquitetura de Marca e Investimento em Marketing

A decisão de arquitetura tem impacto direto na eficiência do investimento em marketing:

  • Modelo monolítico: Todo investimento fortalece uma única marca. Cada real investido em comunicação beneficia todo o portfólio — máxima eficiência de media.
  • Modelo independente: Cada marca requer seu próprio orçamento de mídia, produção criativa, redes sociais, site e equipe. Os investimentos não se somam — eles se multiplicam.
  • Modelo endossado: Parte do investimento na marca mãe "derrama" para as submarcas. Eficiência intermediária.

Aprofunde seu Conhecimento

Explore conceitos relacionados e descubra como aplicar na prática:

Fontes e Referências Externas

Alerta de Buzzword

Por que esse termo virou moda e o que ele realmente significa

"Criamos uma submarca para esse produto porque é diferente do nosso core" é a frase que inicia muitos problemas de arquitetura de marca. Criar submarcas parece a solução para tudo — mas cada nova marca adicionada ao portfólio tem um custo: atenção, orçamento, consistência.

Arquitetura de marca não é uma decisão de design — é uma decisão estratégica de negócio com implicações de longo prazo. A escolha errada pode fragmentar o investimento em marketing, confundir o consumidor, ou pior: uma crise em uma submarca pode contaminar toda a holding se a arquitetura não estiver bem definida.

Perguntar "qual é a nossa arquitetura de marca?" a um empresário brasileiro de médio porte normalmente gera silêncio. Mas mesmo que nunca tenham pensado formalmente no tema, toda empresa com mais de um produto ou serviço já tem uma arquitetura de marca — seja ela planejada ou acidental.

Reality Check

O que funciona de verdade na prática do dia a dia

Dados de Interbrand, McKinsey e Brand Finance (2024):

  • Empresas com arquitetura de marca bem definida têm valor de marca 31% maior em média que concorrentes com portfólio desorganizado (Brand Finance)
  • A Procter & Gamble, modelo de arquitetura independente, opera mais de 65 marcas autônomas — cada uma com sua própria identidade e estratégia
  • A Apple opera arquitetura monolítica: iPhone, iPad, Mac, Apple Watch — tudo sob a mesma marca mãe, com o mesmo nível de premium percebido
  • Empresas em processo de fusão/aquisição com arquitetura mal definida gastam em média 40% mais em comunicação de marca nos primeiros 3 anos (McKinsey)
  • A decisão de arquitetura de marca impacta diretamente o custo de mídia: marcas independentes exigem orçamentos separados; marcas endossadas ou monolíticas se beneficiam do investimento na marca mãe

Aplicação Prática

Como a Integrare implementa isso no seu negócio

Na Integrare — Branding e Identidade Visual, conduzimos projetos de arquitetura de marca para empresas que estão crescendo, expandindo o portfólio ou passando por reestruturação:

  1. Mapeamento do Portfólio Atual: Inventário completo de todas as marcas, produtos, serviços e linhas que a empresa opera — com análise de como cada um se posiciona e como se relacionam
  2. Diagnóstico de Consistência: Identificar sobreposições, confusões e oportunidades de sinergia entre as marcas do portfólio
  3. Definição da Estratégia: Escolher o modelo de arquitetura mais adequado ao contexto da empresa, ao mercado e aos objetivos estratégicos
  4. Desenvolvimento do Sistema Visual: Criar o sistema visual que expressa a arquitetura — como a marca mãe se relaciona visualmente com as submarcas, qual o nível de autonomia visual de cada elemento
  5. Nomenclatura: Definir a lógica de nomes — descritiva, inventada, endossada — para produtos e serviços dentro do portfólio
  6. Guia de Uso: Documentação das regras de relacionamento entre marcas, incluída no manual de marca

Consulte também: Branding | Posicionamento de Marca | Identidade Visual

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