Brand Awareness vs Brand Recall: Fundamentos Neurocognitivos e Implicações Estratégicas para Redução de Custos de Transação
A distinção entre brand awareness e brand recall é fundamental para estratégias de marketing que reduzam custos de transação. Este artigo examina os mecanismos neurocognitivos subjacentes e suas implicações para construção de saliência de marca.
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Resumo Executivo
A distinção entre brand awareness (reconhecimento) e brand recall (lembrança espontânea) constitui fundamento essencial para estratégias de marketing que reduzam custos de transação entre empresas e seus públicos-ideais. Este artigo examina os mecanismos neurocognitivos subjacentes, fundamentando-se em pesquisas do Ehrenberg-Bass Institute e literatura contemporânea em neurociência do consumidor, para demonstrar como a construção de saliência de marca opera como infraestrutura econômica que facilita decisões de compra.
Palavras-chave: saliência de marca, disponibilidade mental, custos de transação, category entry points, memória associativa
1. Introdução: O Problema Cognitivo da Escolha
O processo de decisão de compra envolve recuperação de informações armazenadas em estruturas de memória de longo prazo. Conforme Collins e Loftus (1975) estabeleceram em seu modelo de ativação por propagação (spreading activation), a memória humana opera como uma rede associativa onde conceitos interconectados são ativados mediante estímulos contextuais. No domínio do comportamento do consumidor, essa arquitetura cognitiva determina quais marcas emergem como candidatas à consideração no momento da compra.
A literatura de marketing tradicionalmente tratou awareness como construto unidimensional. Contudo, Romaniuk e Sharp (2004), em trabalho seminal publicado no Marketing Theory, demonstraram que essa conceitualização é inadequada. Os autores propõem distinguir brand salience como a propensão da marca a ser notada ou vir à mente em situações de compra, conceito que transcende a simples menção de primeira instância (top of mind) que dominava as métricas anteriores.
Do ponto de vista da economia institucional, essa distinção possui implicações diretas para a teoria dos custos de transação. Williamson (2010), em sua síntese publicada no American Economic Review, argumenta que arranjos institucionais emergem para economizar em custos de busca, negociação e execução. Uma marca com alta disponibilidade mental funciona como tecnologia social que reduz custos cognitivos do consumidor ao simplificar o processo de consideração e escolha.
Figura 1: Diagrama conceitual comparando Brand Awareness e Brand Recall
Este artigo apresenta uma análise integrada entre literatura de memória associativa, pesquisa empírica do Ehrenberg-Bass Institute, neurociência do consumidor e economia dos custos de transação, oferecendo framework robusto para gestores de marketing que buscam fundamentar suas decisões em evidências científicas.
2. Fundamentação Teórica: Memória e Saliência
2.1 Arquitetura da Memória Associativa
O modelo de ativação por propagação proposto por Collins e Loftus (1975) estabelece que conceitos na memória semântica são organizados em redes onde nodos representam unidades de significado conectadas por links associativos de força variável. Quando um nodo é ativado por estímulo externo ou processo interno, essa ativação propaga-se aos nodos adjacentes, com intensidade decrescente conforme a distância na rede.
Alba e Chattopadhyay (1986), no Journal of Marketing Research, demonstraram empiricamente as implicações competitivas desse mecanismo. Seus experimentos revelaram que aumentar a saliência de uma marca específica prejudica a recuperação de marcas concorrentes. Esse efeito de inibição ocorre porque a ativação concentrada em determinado nodo reduz os recursos cognitivos disponíveis para ativar nodos alternativos.
Implicação estratégica: Construir saliência não apenas beneficia a marca focal, mas ativamente dificulta a consideração de competidores.
Figura 2: Modelo de ativação por propagação na memória associativa
2.2 Disponibilidade Mental: Conceito do Ehrenberg-Bass Institute
O trabalho do Ehrenberg-Bass Institute for Marketing Science, particularmente através de Sharp (2010) e Romaniuk (2018), introduziu o conceito de disponibilidade mental (mental availability) como medida da probabilidade de uma marca ser notada, reconhecida ou pensada em situações de compra. Diferentemente de awareness tradicional, disponibilidade mental opera tanto em nível consciente quanto inconsciente.
A disponibilidade mental é função de duas dimensões:
| Dimensão | Descrição | Impacto |
|---|---|---|
| Quantidade | Número de associações que compradores mantêm sobre a marca | Mais "portas de entrada" cognitivas |
| Qualidade | Força e relevância das associações para situações específicas | Maior probabilidade de ativação contextual |
Marcas com redes associativas mais extensas e contextualizadas têm maior probabilidade de emergir como candidatas à consideração. Esse conceito é fundamental para estratégias de branding e identidade visual eficazes.
2.3 Comparativo: Brand Awareness vs Brand Recall
Figura 3: Quadro comparativo entre Brand Awareness e Brand Recall
| Dimensão | Brand Awareness | Brand Recall |
|---|---|---|
| Processo Cognitivo | Reconhecimento mediante estímulo externo (aided recall) | Recuperação espontânea por ativação interna (unaided recall) |
| Demanda Cognitiva | Baixa: requer apenas familiaridade prévia | Alta: requer estruturas de memória robustas |
| Contexto Típico | Ponto de venda, exposição a anúncios, busca online | Emergência de necessidade, conversa, recomendação |
| Custo de Transação | Reduz custos de busca no ambiente físico/digital | Reduz custos de avaliação e deliberação |
| Métrica Indicada | Recognition rate, familiarity score | Top of mind, share of mind, CEP coverage |
Fonte: Elaboração própria com base em Romaniuk & Sharp (2004); Keller (1993); Williamson (2010).
3. Category Entry Points: Anatomia da Recuperação de Marca
Romaniuk e Sharp (2000), no International Journal of Market Research, introduziram o conceito de Category Entry Points (CEPs) como as situações, necessidades ou pistas que disparam a recuperação de marcas da memória. Esses pontos de entrada representam os momentos contextuais em que uma categoria de produto ou serviço torna-se relevante para o consumidor.
3.1 Taxonomia dos Category Entry Points
Os CEPs podem ser classificados em duas categorias fundamentais:
CEPs Intrínsecos - Originam-se de estados internos do consumidor:
- Sensação de sede ou fome
- Estresse ou necessidade de relaxamento
- Necessidade de reconhecimento social
- Urgência de resolver problema específico
CEPs Extrínsecos - Derivam de fatores contextuais externos:
- Localização física (estar em shopping, aeroporto)
- Horário do dia (manhã, almoço, fim de expediente)
- Presença de outras pessoas (reunião, evento social)
- Exposição a estímulos ambientais (propaganda, conversa)
A pesquisa do Ehrenberg-Bass Institute demonstra que marcas com redes de CEPs mais amplas e atualizadas (fresh) apresentam maior probabilidade de aquisição e retenção de clientes. Isso ocorre porque cada CEP adicional representa um novo caminho potencial pelo qual a marca pode emergir na consideração do consumidor.
Figura 4: Mapeamento de Category Entry Points e sua relação com saliência de marca
3.2 Framework 3C para Priorização de CEPs
A literatura propõe três critérios para avaliação estratégica de CEPs:
| Critério | Pergunta-Chave | Avaliação |
|---|---|---|
| Credibilidade (Credibility) | A marca possui características objetivas que sustentam associação com o CEP? | Alinhamento entre atributos funcionais e situação de uso |
| Competição (Competition) | Quão saturado está o CEP com associações a marcas concorrentes? | CEPs menos disputados oferecem diferenciação cognitiva |
| Comunalidade (Commonness) | Qual a frequência com que o CEP ocorre na vida dos consumidores-alvo? | CEPs mais frequentes oferecem mais oportunidades de ativação |
Ngo et al. (2022), no Journal of Business Research, expandiram essa análise introduzindo métricas de exclusividade (brand exclusiveness) e dominância (brand dominance) de marca. Exclusividade mede a proporção de consumidores que associam um CEP específico apenas à marca focal; dominância mede a força relativa dessa associação comparada a concorrentes.
Esta abordagem é fundamental para estratégias de SEO e marketing de conteúdo, onde os CEPs digitais (termos de busca, contextos de navegação) determinam a visibilidade da marca.
4. Perspectiva Neurocientífica: Bases Neurais da Memória de Marca
A neurociência do consumidor oferece evidências complementares sobre os mecanismos cerebrais envolvidos na formação e recuperação de memórias de marca. Alsharif e Mohd Isa (2024), em revisão bibliométrica publicada no Future Business Journal, mapearam a produção científica na interseção entre neuromarketing e ressonância magnética funcional (fMRI).
4.1 Regiões Cerebrais Envolvidas
Figura 5: Mapeamento das regiões cerebrais ativadas no processamento de marcas
Gupta et al. (2025), em revisão sistemática publicada na Frontiers in Neuroergonomics, identificaram que o striatum ventral e o córtex pré-frontal exercem papéis centrais no processamento de informações de marca:
| Região Cerebral | Função | Implicação para Branding |
|---|---|---|
| Striatum Ventral | Antecipação de recompensa e prazer | Marcas preferidas ativam circuitos de recompensa |
| Córtex Pré-frontal | Avaliação de valor e tomada de decisão | Mediação entre memória e escolha |
| Hipocampo | Consolidação de memórias | Formação de associações de longo prazo |
| Amígdala | Processamento emocional | Marcas com carga emocional são mais memoráveis |
Santos e Santos (2024), na Frontiers in Human Neuroscience, demonstraram que técnicas de inteligência artificial explicável podem ser aplicadas para interpretar padrões de ativação cerebral durante exposição a estímulos de marca. Essa abordagem permite identificar quais elementos visuais, verbais ou sensoriais geram maior engajamento neural.
4.2 Implicações para Ativos Distintivos
Romaniuk (2018) argumenta que ativos distintivos de marca (cores, logos, slogans, sons) funcionam como âncoras na rede associativa que facilitam tanto reconhecimento quanto recuperação. Do ponto de vista neural, esses ativos criam padrões de ativação específicos que, quando reexpostos, ativam automaticamente o nodo da marca correspondente.
Insight crítico: A pesquisa neurocientífica confirma a importância da distintividade sobre a diferenciação significativa. Enquanto a literatura tradicional de marketing enfatizava propostas de valor únicas (USP), evidências empíricas sugerem que ativos sensoriais distintos (mesmo que desprovidos de significado funcional) exercem papel mais relevante na facilitação de recuperação de marca.
Essa descoberta tem implicações diretas para estratégias de branding e design de identidade visual.
5. Saliência de Marca como Redutor de Custos de Transação
A economia dos custos de transação (ECT), conforme desenvolvida por Oliver Williamson (1985, 2010), oferece framework analítico para compreender a função econômica da saliência de marca. Williamson identifica três categorias de custos de transação:
- Custos de busca (search costs) - tempo e esforço para encontrar alternativas
- Custos de negociação (bargaining costs) - recursos para estabelecer termos
- Custos de execução (enforcement costs) - garantir cumprimento de acordos
5.1 Mecanismos de Redução de Custos
Figura 6: Framework de saliência de marca como redutor de custos de transação
Ketokivi e Mahoney (2020), no Production and Operations Management, demonstraram que os pressupostos da ECT (racionalidade limitada, oportunismo, especificidade de ativos) aplicam-se à análise de cadeias de valor e, por extensão, às relações entre marcas e consumidores.
Teo e Yu (2005), na Omega, aplicaram a perspectiva de custos de transação ao comportamento de compra online, demonstrando que familiaridade com marca reduz percepção de risco e incerteza, principais drivers de custos de transação em ambientes digitais. Kim e Li (2009) estenderam essa análise ao setor de turismo, confirmando que satisfação e lealdade derivam parcialmente da redução de custos cognitivos proporcionada pela marca.
| Tipo de Custo | Manifestação | Mecanismo de Redução via Saliência |
|---|---|---|
| Custos de Busca | Tempo e esforço para identificar alternativas viáveis | Alta disponibilidade mental limita consideration set |
| Custos de Avaliação | Processamento cognitivo para comparar opções | Familiaridade gera atalhos heurísticos |
| Custos de Incerteza | Risco percebido de escolha inadequada | Exposição repetida constrói confiança implícita |
Fonte: Elaboração própria com base em Williamson (2010); Teo & Yu (2005); Ketokivi & Mahoney (2020).
Esta perspectiva fundamenta a abordagem da Integrare em estratégias de marketing: reduzir fricção entre empresas e seus públicos-ideais através de disponibilidade mental consistente.
6. Implicações Estratégicas para Gestão de Marketing
6.1 Publicidade como Investimento em Infraestrutura Cognitiva
Figura 7: Modelo de publicidade como construção de infraestrutura cognitiva
A perspectiva do Ehrenberg-Bass Institute desafia a visão tradicional de publicidade como ferramenta de persuasão. Dados empíricos de décadas de pesquisa em múltiplos mercados demonstram que a função primária da publicidade é construir e manter estruturas de memória, não converter atitudes.
Essa reconceituação tem implicações diretas para alocação orçamentária e mensuração de resultados:
| Abordagem Tradicional | Abordagem Baseada em Evidências |
|---|---|
| Publicidade como persuasão | Publicidade como construção de memória |
| Campanhas pulsadas | Presença contínua |
| Foco em conversão imediata | Foco em disponibilidade mental |
| Métricas de resposta direta | Métricas de saliência e recall |
A Lei do 95:5 em mercados B2B: A qualquer momento, aproximadamente 95% dos potenciais compradores não estão no mercado para a categoria. Publicidade consistente garante que, quando esses 95% entrarem em ciclo de compra, a marca esteja cognitivamente disponível.
Para mensurar adequadamente esses efeitos, é essencial implementar analytics e business intelligence que capturem métricas de longo prazo além de conversões imediatas.
6.2 Público-Ideal versus Público-Alvo
A distinção entre público-ideal e público-alvo emerge como corolário da teoria de custos de transação aplicada ao marketing:
- Público-alvo representa segmentação demográfica ou psicográfica convencional
- Público-ideal identifica os consumidores para os quais a marca pode entregar valor de forma mais eficiente
Essa distinção implica que estratégia de marketing eficaz não busca apenas alcançar segmentos-alvo, mas construir disponibilidade mental nos contextos em que o público-ideal naturalmente opera. Trata-se de otimização de ajuste (fit) entre oferta e demanda no nível cognitivo.
O conceito de Customer Lifetime Value (CLV) torna-se mais significativo quando consideramos que clientes do público-ideal apresentam menores custos de aquisição (CAC) e maior valor ao longo do tempo.
6.3 Distintividade versus Diferenciação
Figura 8: Comparativo entre distintividade e diferenciação de marca
A pesquisa do Ehrenberg-Bass Institute introduz distinção crucial entre distintividade e diferenciação:
| Aspecto | Diferenciação | Distintividade |
|---|---|---|
| Definição | Atributos funcionais que distinguem a marca | Elementos sensoriais que facilitam identificação |
| Fundamento | Racional/cognitivo | Perceptual/automático |
| Exemplo | "Nosso produto dura 20% mais" | Cor roxa característica da marca |
| ROI | Variável, depende de relevância | Consistente, independe de significado |
Evidências empíricas sugerem que investimentos em distintividade geram retornos mais consistentes que investimentos em diferenciação. Isso não implica que diferenciação seja irrelevante, mas que distintividade opera como pré-requisito: a marca precisa ser recuperada antes que seus atributos diferenciadores possam exercer influência.
7. Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual a diferença prática entre brand awareness e brand recall?
Brand awareness refere-se ao reconhecimento de uma marca quando exposta a ela (ver o logo e identificar), enquanto brand recall é a capacidade de lembrar espontaneamente da marca quando surge uma necessidade. Awareness requer apenas familiaridade; recall requer estruturas de memória mais robustas.
Como medir a saliência de marca de forma eficaz?
As principais métricas incluem: (1) Top of Mind - primeira marca mencionada espontaneamente; (2) Share of Mind - proporção de menções em relação à categoria; (3) Category Entry Point Coverage - número de situações de compra associadas à marca; (4) Brand Recognition Rate - taxa de identificação correta da marca. Ferramentas como Google Analytics 4 podem complementar essas métricas com dados comportamentais.
Qual a relação entre saliência de marca e custos de transação?
Marcas com alta saliência reduzem os custos cognitivos que consumidores incorrem ao buscar, avaliar e decidir por produtos/serviços. Isso inclui redução de tempo de busca, simplificação de comparações e diminuição de risco percebido. O resultado é maior eficiência transacional e menor atrito na jornada de compra.
Por que distintividade é mais importante que diferenciação?
A distintividade (elementos visuais, sonoros, sensoriais únicos) facilita a recuperação da marca da memória, enquanto diferenciação (atributos funcionais superiores) só pode influenciar após a marca ser recuperada. Sem distintividade, a marca pode nunca entrar no conjunto de consideração do consumidor.
Como os Category Entry Points (CEPs) afetam a estratégia de marketing?
CEPs são as situações que disparam a necessidade de uma categoria. Marcas vinculadas a mais CEPs têm mais "portas de entrada" na mente do consumidor. A estratégia deve mapear os CEPs relevantes e construir associações consistentes com cada um através de tráfego pago, tráfego orgânico e presença de marca.
A publicidade realmente constrói memória ou apenas persuade?
Pesquisas do Ehrenberg-Bass Institute demonstram que a função primária da publicidade é construir e refrescar estruturas de memória, não persuadir ou converter atitudes. A maioria dos compradores já tem atitudes formadas; publicidade os lembra da marca no momento relevante.
Como aplicar esses conceitos em estratégias de SEO?
Saliência digital pode ser construída através de presença consistente nos momentos de busca (CEPs digitais), uso de ativos distintivos em todos os touchpoints, e criação de conteúdo que vincula a marca a situações específicas de necessidade. O tráfego orgânico bem direcionado reforça estruturas de memória. Estratégias de SEO local são particularmente eficazes para vincular marca a CEPs geográficos.
8. Conclusão
A distinção entre brand awareness e brand recall representa mais que nuance terminológica: reflete processos cognitivos distintos com implicações estratégicas diferenciadas. Brand awareness facilita reconhecimento em contextos de exposição; brand recall viabiliza emergência espontânea em situações de necessidade. Ambos contribuem para redução de custos de transação, mas por mecanismos diferentes.
A síntese entre literatura de memória associativa, pesquisa empírica do Ehrenberg-Bass Institute, neurociência do consumidor e economia dos custos de transação oferece fundamento robusto para repensar a função do marketing:
Marketing não é ferramenta de persuasão ou geração de leads: é infraestrutura econômica que facilita transações ao reduzir custos cognitivos de busca, avaliação e decisão.
Implicações Práticas para Gestores de Marketing
- Priorizar investimentos em disponibilidade mental sobre convencimento racional
- Mapear e expandir Category Entry Points relevantes para a marca
- Construir e proteger ativos distintivos (cores, sons, formatos)
- Manter presença publicitária consistente (evitar gaps de exposição)
- Identificar público-ideal com base em eficiência transacional, não apenas demografias
Para implementar essas estratégias com rigor metodológico, considere uma consultoria especializada em estratégia de marketing fundamentada em evidências científicas.
Limitações do Estudo
Esta revisão fundamenta-se predominantemente em literatura de mercados desenvolvidos (EUA, Europa, Austrália). A replicabilidade dos achados em contextos de mercados emergentes, particularmente Brasil, requer validação empírica adicional. Além disso, a digitalização acelerada do comportamento de consumo pode introduzir novos CEPs e mecanismos de recuperação de marca ainda não plenamente mapeados.
Agenda de Pesquisa Futura
A agenda de pesquisa deve explorar:
- Quantificação de custos de transação cognitivos em diferentes categorias
- Desenvolvimento de métricas de disponibilidade mental aplicáveis a contextos digitais brasileiros
- Investigação longitudinal dos efeitos de investimentos em saliência sobre desempenho de marca
- Impacto de algoritmos de recomendação na formação de CEPs digitais
Referências
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Sobre o Autor
Ivan Prizon é Economista pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Mestre em Economia do Desenvolvimento pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). É Chief Technology Officer e sócio-fundador da Agência Integrare, onde desenvolve metodologias de marketing baseadas em evidências fundamentadas em Economia Institucional e Economia Comportamental.
Contato: [email protected] | aintegrare.com.br
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